Automutilação: “Eu me corto. O que devo fazer?”
Este assunto é um tanto quanto complexo de se abordar, pois é uma realidade que presenciamos todos os dias. Pode-se dizer que um em cada doze adolescentes se mutilam.
Caracteriza-se por um comportamento
intencional envolvendo agressão direta ao próprio corpo sem intenção
consciente de suicídio. Ou seja, o mutilador não tem a intenção de
interromper a própria vida, ele busca, por meio desse ato, uma forma de
subliminar a própria dor emocional; por meio da dor física causada. Na maioria
dos casos está associado ao Transtorno de Personalidade Borderline, no
entanto, pode ocorrer também em pessoas com depressão, transtorno
afetivo bipolar, síndrome do pânico, bulimia, anorexia, vítima de
bullying, esquizofrenia, entre outros; ou até sem ser vinculado a um
transtorno específico.
Existem diferentes formas de
automutilação, bem como reabrir feridas, morder o próprio lábio, a
língua ou o braço, queimar-se com cigarros, sal, gelo ou produtos
químicos, furar-se com objetos pontiagudos, beliscar-se e arranhar-se
utilizando a própria unha ou objeto cortante, etc. Nota-se que há outras
formas em que a pessoa também sente prazer associados a dor como, por
exemplo, o masoquismo, em que a pessoa busca a satisfação sexual através
da dor, o que não abordarei aqui.
O famoso filme Cisne Negro (Aronofsky, 2010), em citação:
Você tem o coração quebrado.
Sinta e contemple!
Sua vida inteira passa em frente dos seus olhos.
O sangue flui.
Há apenas uma maneira de pôr fim em seu sofrimento!”
Por que pessoas se automutilam?
Algumas pessoas podem pensar que há
apenas uma maneira mesmo de pôr fim ao seu sofrimento e, no caso, seria
se automutilando. Dão o primeiro passo e se mutilam. A busca pela
sensação de alívio é comum e muito freqüente, é a forma que algumas
pessoas utilizam para enfrentar seus anseios, porém isso se torna
prazeroso, o mutilador passa a sentir prazer em ferir-se, e isso se
torna muito constante.
A dificuldade de expressão verbal ou
emocional pode influenciar muito e acabar desencadeando este
comportamento. O amor próprio está defasado e a autoestima
constantemente baixa. A falta de apoio familiar e do convívio pessoal
contribui para o comportamento. O apoio nestes casos é de extrema
importância, pois o preconceito envolvido por terceiros somente pode
agravar ao invés de ajudar.
O fácil acesso a internet
hoje em dia, coloca a nossa disposição uma variedade imensa de
informações e depoimentos, até mesmo de pessoas que vivenciam essa mesma
situação. Lendo um artigo dias atrás, notei que podemos encontrar
muitas pessoas dispostas a “palpitarem” acerca do assunto, que acham
besteira, que se preocupam e outras que se identificam. Mas difícil
mesmo é encontrar pessoas, ou sites, que disponibilizam um canal de
ajuda ou apoio para esse tipo de situação. Comentar é muito fácil, mas
quem garante que o mutilador que leu o comentário não se cortou e,
acidentalmente, acabou cometendo suicídio na próxima hora? Ajude quem
pede, mas de maneira consciente. E aqueles que passam por um a situação
similar ou se identificaram, devem buscar ajuda profissional.
O que devo fazer?
A busca por ajuda é essencial em todos
os casos, pois o que pode começar com uma mutilação leve, pode, sem
intenção, acabar em suicídio. A automutilação é um fator de risco grave e
muito sério! Precisa de atenção! A psicoterapia tem como objetivo
auxiliar o paciente a compreender e nomear seus próprios sentimentos, de
forma a elaborar, se expressar e lidar melhor com suas frustrações. Em
alguns casos o tratamento medicamentoso se faz necessário, porém ele tem
a finalidade de controlar estados ansiosos e depressivos. Existem
pessoas que encontram outras formas de se expressar, como um diário ou
um livroo. O ato de escrever é um meio que o mutilador poderá sublimar
(direcionar os impulsos inaceitáveis – socialmente – por aceitáveis) os
desejos, utilizando uma folha de papel para expressar-se melhor do que a
própria pele. É como se fosse uma troca, ao invés dele se mutilar, ele
direciona para o papel, se expressando, porém de outra forma.
O ideal mesmo é procurar ajuda
psicoterápica. Hoje em dia é possível conseguir atendimento por baixo
custo. Para aquelas pessoas que tem dificuldade em ir ao presencial, é
possível conseguir orientação psicológica pela internet, via skype ou e-mail, ou seja, não é psicoterapêutico. Lembrando que a orientação online não deve ser confundida com psicoterapia, e nem a substitui. Esta visa dar suporte a uma queixa, um foco. Já a psicoterapia presencial permite um aprofundamento maior do problema.
O importante é dar o primeiro passo e
buscar ajuda profissional, afinal, neste momento, se mutilar pode
parecer “resolver” os seus problemas, mas isso pode se tornar o
problema muito maior depois. É apenas um alívio temporário, que não
realmente traz resultados e que só piora conforme o tempo. Quando mais
você pratica, pior fica situação. Não tenha vergonha de admitir que se
automutila e que está passando por um problema. Existem pessoas que se
importam e podem te ajudar! Peça ajuda!
Caso você não tenha algum
familiar que consiga compreender a situação, você pode procurar ajuda
por si só. Pode procurar um psicólogo online, pode procurar psicólogos
de universidades públicas que oferecem atendimentos gratuítos. Você pode
falar com um amigo
que te acompanhe nos primeiros dias, até que você se sinta mais
confiante. O importante é tomar uma primeira atitude, dar o primeiro
passo, assim você obterá ajuda para conseguir uma nova motivação.





