sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Automutilação: “Eu me corto. O que devo fazer?” 

 

Este assunto é um tanto quanto complexo de se abordar, pois é uma realidade que presenciamos todos os dias. Pode-se dizer que um em cada doze adolescentes se mutilam.

 

Caracteriza-se por um comportamento intencional envolvendo agressão direta ao próprio corpo sem intenção consciente de suicídio. Ou seja, o mutilador não tem a intenção de interromper a própria vida, ele busca, por meio desse ato, uma forma de subliminar a própria dor emocional; por meio da dor física causada. Na maioria dos casos está associado ao Transtorno de Personalidade Borderline, no entanto, pode ocorrer também em pessoas com depressão, transtorno afetivo bipolar, síndrome do pânico, bulimia, anorexia, vítima de bullying, esquizofrenia, entre outros; ou até sem ser vinculado a um transtorno específico.

Existem diferentes formas de automutilação, bem como reabrir feridas, morder o próprio lábio, a língua ou o braço, queimar-se com cigarros, sal, gelo ou produtos químicos, furar-se com objetos pontiagudos, beliscar-se e arranhar-se utilizando a própria unha ou objeto cortante, etc. Nota-se que há outras formas em que a pessoa também sente prazer associados a dor como, por exemplo, o masoquismo, em que a pessoa busca a satisfação sexual através da dor, o que não abordarei aqui.

O famoso filme Cisne Negro (Aronofsky, 2010), em citação:

“Você está destruída.
Você tem o coração quebrado.
Sinta e contemple!
Sua vida inteira passa em frente dos seus olhos.
O sangue flui.
Há apenas uma maneira de pôr fim em seu sofrimento!”



Por que pessoas se automutilam?

 


post2

Algumas pessoas podem pensar que há apenas uma maneira mesmo de pôr fim ao seu sofrimento e, no caso, seria se automutilando. Dão o primeiro passo e se mutilam. A busca pela sensação de alívio é comum e muito freqüente, é a forma que algumas pessoas utilizam para enfrentar seus anseios, porém isso se torna prazeroso, o mutilador passa a sentir prazer em ferir-se, e isso se torna muito constante.
A dificuldade de expressão verbal ou emocional pode influenciar muito e acabar desencadeando este comportamento. O amor próprio está defasado e a autoestima constantemente baixa. A falta de apoio familiar e do convívio pessoal contribui para o comportamento. O apoio nestes casos é de extrema importância, pois o preconceito envolvido por terceiros somente pode agravar ao invés de ajudar.
O fácil acesso a internet hoje em dia, coloca a nossa disposição uma variedade imensa de informações e depoimentos, até mesmo de pessoas que vivenciam essa mesma situação. Lendo um artigo dias atrás, notei que podemos encontrar muitas pessoas dispostas a “palpitarem” acerca do assunto, que acham besteira, que se preocupam e outras que se identificam. Mas difícil mesmo é encontrar pessoas, ou sites, que disponibilizam um canal de ajuda ou apoio para esse tipo de situação. Comentar é muito fácil, mas quem garante que o mutilador que leu o comentário não se cortou e, acidentalmente, acabou cometendo suicídio na próxima hora? Ajude quem pede, mas de maneira consciente. E aqueles que passam por um a situação similar ou se identificaram, devem buscar ajuda profissional.


O que devo fazer?

 post3

A busca por ajuda é essencial em todos os casos, pois o que pode começar com uma mutilação leve, pode, sem intenção, acabar em suicídio. A automutilação é um fator de risco grave e muito sério! Precisa de atenção! A psicoterapia tem como objetivo auxiliar o paciente a compreender e nomear seus próprios sentimentos, de forma a elaborar, se expressar e lidar melhor com suas frustrações. Em alguns casos o tratamento medicamentoso se faz necessário, porém ele tem a finalidade de controlar estados ansiosos e depressivos. Existem pessoas que encontram outras formas de se expressar, como um diário ou um livroo. O ato de escrever é um meio que o mutilador poderá sublimar (direcionar os impulsos inaceitáveis – socialmente – por aceitáveis) os desejos, utilizando uma folha de papel para expressar-se melhor do que a própria pele. É como se fosse uma troca, ao invés dele se mutilar, ele direciona para o papel, se expressando, porém de outra forma.
O ideal mesmo é procurar ajuda psicoterápica. Hoje em dia é possível conseguir atendimento por baixo custo. Para aquelas pessoas que tem dificuldade em ir ao presencial, é possível conseguir orientação psicológica pela internet, via skype ou e-mail, ou seja, não é psicoterapêutico. Lembrando que a orientação online não deve ser confundida com psicoterapia, e nem a substitui. Esta visa dar suporte a uma queixa, um foco. Já a psicoterapia presencial permite um aprofundamento maior do problema.
O importante é dar o primeiro passo e buscar ajuda profissional, afinal, neste momento, se mutilar pode parecer “resolver” os seus problemas, mas isso pode se tornar o problema muito maior depois. É apenas um alívio temporário, que não realmente traz resultados e que só piora conforme o tempo. Quando mais você pratica, pior fica situação. Não tenha vergonha de admitir que se automutila e que está passando por um problema. Existem pessoas que se importam e podem te ajudar! Peça ajuda!
Caso você não tenha algum familiar que consiga compreender a situação, você pode procurar ajuda por si só. Pode procurar um psicólogo online, pode procurar psicólogos de universidades públicas que oferecem atendimentos gratuítos. Você pode falar com um amigo que te acompanhe nos primeiros dias, até que você se sinta mais confiante. O importante é tomar uma primeira atitude, dar o primeiro passo, assim você obterá ajuda para conseguir uma nova motivação.

Nenhum comentário:

Postar um comentário